Câncer de Próstata

Dr. André Yoichi – Urologia / Uro-oncologia

É o tipo de câncer mais comum no homem, após os tumores de pele. No Brasil estima-se para o ano de 2020, aproximadamente 65mil novos novos casos, segundo dados do INCA, o que significa um diagnóstico de câncer a cada 8 minutos. Outros dados informam que 01 homem morre desta doença a cada 40 minutos no Brasil, com o diagnostico precoce a chance de cura pode chegar a aproximadamente 90%, porém quando os sintomas aparecem 95% dos casos já estão em fase adiantada e infelizmente 20% dos casos ainda são diagnosticados tardiamente, 25% dos portadores do câncer morrem em decorrência das complicações da doença.

A próstata é uma glândula exclusivamente masculina, que faz parte do aparelho reprodutor do homem.  Localizada abaixo da bexiga e acima do reto, ela envolve a parte inicial da uretra, o canal pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata colabora com a produção do fluido seminal que ajuda a carregar os espermatozoides durante a ejaculação e tem mais ou menos o tamanho de uma noz (castanha).

Com o processo de envelhecimento do homem, é comum a glândula prostática ser acometida por dois tipos de problemas: a hiperplasia benigna da próstata e/ou o câncer de próstata.

O que aumenta o risco?

Ninguém sabe exatamente o que causa o câncer de próstata, mas há uma relação clara entre a idade e o aumento de sua incidência, sendo incomum antes dos 45 anos e apresentando uma frequência progressivamente maior conforme a idade do paciente.

O histórico familiar  também é relevante, se um parente de primeiro grau (pai ou irmão) já desenvolveu a doença, o risco é maior. Possuir 01 parente de 1º grau aumenta em 2x a chance de doença e a presença de 02 parentes o risco é 6x maior.

Acredita-se que a questão racial possa ser importante no desenvolvimento do câncer de próstata. Nos Estados Unidos, a doença é mais comum entre afrodescendentes, no Brasil também os afrodescendentes possuem o risco 1,5x maior. Mas isso não se repete necessariamente em outros países. No Oriente, de forma geral, é menos frequente. No entanto, essa baixa incidência pode não ter exclusivamente o fator racial como justificativa, já que orientais que migram para o Ocidente e adquirem hábitos locais, apresentam risco de câncer de próstata progressivamente maior nas gerações subsequentes, o que aumenta a evidência de que os hábitos alimentares também podem contribuir no risco. Alguns estudos mostram que uma dieta rica em carne e gordura animal aumentam o risco de doença.

 

Como as chances de cura são maiores quanto mais precoce for o diagnóstico e antes do aparecimento de possíveis sintomas, existe a recomendação para realização de exames periódicos ou exames de rastreamento (screening) a partir dos 50 anos para a população em geral e a partir dos 45 anos para aqueles com histórico familiar, afrodescendentes e obesos. Com o intuito de alertar a população o mês de Novembro é mundialmente conhecido pela campanha NOVEMBRO AZUL, um mês dedicado ao combate do CÂNCER de PRÓSTATA.

 

Como Diagnosticar?

O exame periódico para detecção precoce consiste na realização do exame da próstata pelo toque retal e da coleta de um exame de sangue, o PSA (sigla em inglês para antígeno prostático específico. Até 20% dos casos de câncer de próstata podem ser suspeitados exclusivamente pelo exame de toque, em geral, feito pelo urologista, que dura poucos segundos e é indolor. O PSA é mensurado no sangue e cabe ao urologista interpretar o resultado, já que também pode estar alterado em outras doenças da próstata, como na hiperplasia benigna da próstata e na prostatite (infecção e inflamação da próstata). A confirmação da doença é feito através da biopsia de próstata, um procedimento em que fragmentos da próstata são retirados para analise laboratorial. Outros exames também podem ajudar e também são requeridos de acordo com a necessidade como tomografia, ressonância, cintilografia e PET-PSMA.

 

Sinais e sintomas

Como dito anteriormente a doença em sua fase inicial não apresenta sintomas, as queixas miccionais geralmente estão relacionados a hiperplasia benigna da próstata, outras queixas como sangue na urina podem estar relacionado a doenças da bexiga, do rim ou até mesmo infecções, então uma avaliação urológica muitas vezes é necessária para esclarecer a real origem desses sintomas. Já em casos mais avançados podem haver queixas locais ou em outras partes do corpo em decorrência do avanço da doença pelas metástases, são elas:

  • Micção frequente.
  • Fluxo urinário fraco ou interrompido.
  • Vontade de urinar frequentemente à noite.
  • Sangue na urina ou no líquido seminal.
  • Disfunção erétil.
  • Dor no quadril, costas, coxas, ombros ou outros ossos se a doença se disseminou.
  • Fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.

 

Diagnosticado a doença e determinado o seu grau ou o chamado estadiamento o tratamento deve ser adequado para cada paciente tendo em vista as condições de saúde, o tamanho da próstata, a gravidade da doença e dos sintomas, a presença de complicações e a preferência do indivíduo.

Hoje os avanços da medicina ampliam cada vez mais o número de opções de tratamento, beneficiando o paciente através da implementação da tecnologia na cirurgia, na radioterapia, terapias ablativas e no desenvolvimento de medicações. Além disso alguns pacientes podem se beneficiar da vigilância ativa.

A cirurgia antes realizado pela técnica tradicional aberta hoje tem como opções a cirurgia vídeo laparoscópica e a cirurgia robótica, que permitem um procedimento seguro para o paciente, com maior precisão, outras vantagens destas técnicas são a menor taxa de perda sanguínea, menor período de internamento, menor taxa de dor, cicatriz menores e mais estéticas.

A tecnologia também avançou no campo da radioterapia, que ganhou maior precisão, o que significa menores taxas de complicações e maior eficácia e no desenvolvimento de novos medicamentos, com maior eficácia em sua ação e cada vez menos efeitos colaterais.

 

Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde.